Entrevista – “Gosto de interpretar os fora da lei”

quarta-feira, 22 de julho de 2009

Em entrevista ao site espanhol Nuevo Mundo radio, com a traqüilidade habitual e um pouco de atraso, Depp fala um pouco sobre Public Enemies, Dillinger, música e o que está envolvido em ser um homem.

Antes tarde do que nunca?
Perdão. Sempre chego tarde, não posso com minha alma, mesmo tentando.

Acha isso um problema?
Sim. Ofereço-lhe minhas desculpas.

Há pessoas que o esperam muito mais tempo, só para o ver no cinema. Dá-se conta até que ponto chega sua popularidade? Pode entrar num cinema sem que o reconheçam?
Há elementos de minha vida anterior que estranho. E certamente, o anonimato é um deles. Poder andar pelas ruas, só passear um pouco sem ser reconhecido, seria divertido. É notável que um criminoso com John Dillinger tivesse a habilidade de se misturar na multidão, eu não consigo fazer isso.

Você tem uma casa na França e nos Estados Unidos, um barco e até uma ilha própria no meio das Bahamas. Trocaria tudo isso para recuperar sua privacidade e deixar de ser famoso, pelo menos por um dia?
Você aponta isso como algo extravagante, o que realmente é; mas quando se vive a classe de vida que eu tenho, também há momentos em que você quer respirar, em que deseja que não te vejam.

Quão importante acha que é a história de amor com Marion Cotillard no filme Public Enemies?
A história de amor é tudo para o filme. Até certo ponto, o que Dillinger faz para viver passa a um segundo plano, porque seu enfoque passa a ser Billie (a personagem de Marion Cotillard). E assim foi na vida real. Tinha fogo quando estavam juntos e eram perfeitos um para o outro. E Marion foi absolutamente perfeita.

E identifica-se com Dillinger com a forma em que um homem deveria viver nesse tempo?
Bastante. Por sorte eu não saio de casa com dois revólveres .45 pendurados em meu peito nem com uma metralhadora Thompson. Mas tenho que dizer que John Dillinger representava bastante aquele momento, especialmente em 1933, quando os bancos eram os inimigos e o pessoal do governo como J. Edgar Hoover era pior que a maioria dos criminosos. John Dillinger era de certa forma um cara comum, um herói existencial.

Pessoalmente aprecia aos anti-heróis? Não costumamos o ver em personagens muito heróicos.
Gosto de interpretar os que estão fora da lei. Não acho que faria um bom Super-homem. Não ficaria bem nesse traje.

Dillinger vivia nos tempos em que um homem era homem? O que é um verdadeiro homem para você?
Repare na moda daquela época; os homens usavam chapéus, aquelas roupas, faziam um esforço, tinham verdadeiro senso de individualidade que acho que perdemos. Acho que a tecnologia afeta o nível humano. Entramos em choque com uma parede digital e suponho que perdemos a possibilidade de ser simples. Se John Dillinger vivesse para ver o que vivemos, tão duro como ele era, seguramente sairia correndo a gritos por toda a loucura que hoje estamos acostumados a ver.

E o que faz de você mais homem?
O que me faz mais homem… Também não quero dar-me uma palmada nas costas, mas se sou algo na vida, antes de qualquer coisa, primeiro sou pai e após ver meus filhos, acho que sou um pai bastante decente. É tudo o que espero de um homem; ser leal consigo mesmo, ser leal com quem ama, ser gentil com as pessoas.

Entre os atores mais importantes você parece desaparecer por trás dos personagens.
Bem, obrigado.

É verdade que utiliza a música para conseguir isso?
Claro. Em toda conversa que temos no dia a dia, há alguma banda que soa em nossa mente, ainda que seja a buzina de um carro ou a mistura de papéis. Tento manter a música acessa o tempo todo.

E desaparece conscientemente por trás de um personagem, em vez de fazer que o vejamos como Johnny Depp?
É minha responsabilidade interpretar uma personagem, encontrá-lo e fazer o melhor que posso.

O próximo filme The Rum Diary, que filmou em Porto Rico, é um exemplo disso?
Sim. Há 12 anos estava com Hunter S. Thompson no que ele chamava A Habitação de Guerra, onde guardava todas suas caixas e manuscritos. Estávamos lendo alguns quando encontramos uma caixa que dizia Rum Diary. Pelo visto, tinha-se esquecido de que estava ali, e quando começamos a ler nos demos conta de que era muito bom. Por isso decidiu o editar e o publicar. Naquele tempo prometemos que produziríamos juntos, e um dia fazer esse filme. E finalmente fizemos. Foi muito especial. Era algo que tínhamos preparado faz 12 anos e milagrosamente conseguimos.


Fonte: DeppLovers.

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